Reflexão: The Boys em tempo de eleições

The Boys vai além do entretenimento televisivo, entregando uma crítica social que deve fazer os fãs refletirem sobre o mundo que desejam construir em tempo de eleições.
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RESUMO

Assistir TV nunca foi só sobre relaxar e se divertir. Quanto mais buscamos por temas diversos, que nos fazem pensar, mais ampliamos nosso repertório de conhecimento e nossa visão de mundo.

Nesse sentido, shows como The Boys são extremamente importantes para a nossa sociedade! 

 

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Patriotismo ou fascismo?

O showrunner Eric Kripke nunca escondeu que, por trás do enredo de super-heróis, The Boys tem um viés político fortíssimo. O objetivo da série sempre foi fazer uma crítica social à política, ao autoritarismo e à influência desenfreada da mídia. 

Vejamos o nosso Capitão Pátria: trata-se de um personagem inseguro e de ego frágil, que usa seu poder de forma desmedida, sempre visando esconder suas fraquezas. 

 

 

Capitão Pátria é um patriota absoluto, que aponta amar seu país e agir sempre em benefício dele. Em uma entrevista de 2024, Kripke descreveu o comportamento como “fascismo que se disfarça de patriotismo”. 

Socialmente, muitos líderes fascistas já se apresentaram como heróis, mas atuaram movidos pela própria vaidade. Quando escolhemos um líder, nunca temos como saber completamente se as intenções dele são dignas ou não… então, como cidadãos, só nos resta fazer uma pergunta: o que acontece quando damos poder demais a alguém em posição de liderança? 

Os EUA e o Brasil têm sistemas de democracia similares neste sentido: o Poder Legislativo e o Poder Judiciário exercem funções de controle sobre o Executivo, levando em conta seus âmbitos de competência. A ideia é que decisões que afetem a população estejam sujeitas a regras e à fiscalização de outros poderes quando necessário. Assim, ao invés de dependerem da vontade de um único indivíduo, elas são avaliadas de forma coletiva, com foco no bem maior. 

É tão, mas tão importante, garantir ideias diferentes nestes poderes. Garantir que eles representem a todos, sem exceção. Será que estamos considerando isso? 

 

Quem eleva o líder?

Outro ponto que Eric Kripke sempre abordou em The Boys é que somos nós, como sociedade, que validamos as ideias e comportamentos de um líder.

O autoritarismo não funciona sozinho: para se manter, ele precisa de seguidores. 

Um dos pontos mais incomodativos – e verdadeiros – de The Boys é que o Capitão Pátria não faz tudo o que faz apenas por ser poderoso. Ele tem a instituição dos “Sete” ao seu lado. Ele tem a Vought, e seus seguidores encantados, sempre dispostos a defendê-lo e a reinterpretar fatos para preservar o amor que têm por ele. 

Em um dos momentos mais impactantes da série, o Capitão Pátria mata um manifestante em público na terceira temporada. E o que acontece? O público encontra uma desculpa. As pessoas justificam porque precisam de embasamento para suas crenças – se o Capitão Pátria for realmente um monstro, o que isso diz sobre mim, que o sigo e admiro? O que diz sobre as minhas decisões? 

 

Disseminação de ideias

Kripke também sempre reforçou que super-heróis não se constroem sozinhos: é aí que entra a Vought e o poder da mídia. 

Os Sete foram transformados em produto. A Vought sempre controlou a narrativa em torno deles, transformando erros e crueldades em oportunidades de marketing. 

Nesse sentido, o poder das redes sociais foi muito abordado na série. O que acontece quando o algoritmo reforça nossas ideias como verdades absolutas? 

É fácil falar de algoritmo, mas ninguém percebe o quanto isso afeta o nosso dia a dia. Quer ver? Eu gosto de gatos, e minhas redes são simplesmente cobertas por vídeos de gatos. Produtos para gatos, roupas com estampas de gatos, conteúdos que afirmam que gatos são melhores do que cachorros… opa, pera aí. Eu também amo cachorros! Mas, depois de ver 300 vídeos sobre a supremacia dos gatos, será que ainda amo mesmo? Tem uns argumentos bem convincentes por aí sobre gatos serem muito superiores…

 

O ponto da reflexão

Fã que é fã de The Boys não pode assistir a série só por assistir. A gente tem que honrar o trabalho que o Eric, o elenco e todo o time de produção fizeram! Tem que assistir com olhar de análise, refletir sobre o que está vendo. Pensar se o mundo de The Boys é um mundo em que a gente gostaria de viver.

Dentro de uma semana, vamos retornar às urnas em uma decisão que mudará a história do Brasil. Assim, o TBBR deixa aqui um convite: conheçam as propostas dos candidatos, reflitam sobre o que o voto significa. Pensem nas consequências do voto, no que pode acontecer se dermos poder demais a uma só pessoa. Reflitam sobre como será a vida do povo brasileiro com o candidato de sua escolha. E, só depois, levantem como super-heróis para manifestar sua vontade nas urnas.  

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